quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Marcar O Número Errado E Dar As Respostas Certas

Posso não ter muitos números no telemóvel, mas quando me esqueço de o bloquear e ele liga para um número aleatório, acerta em cheio. Ligou logo para o A.

" - Ligaste-me, querias alguma coisa?"

Só aí vi que, efetivamente lhe tinha ligado. Pedi-lhe desculpa, mas, estava lançado o mote para uma conversa, toda ela, mostra de que estou muito bem servido.

" - Querias festa era?" - pergunta-me ele.
" - Hum, não, até por que já fizeste anos em Janeiro não é?"


" - Queres é que te coma esse cu..."
" - Só se quiseres comer comida já mastigada, já vens um bocadinho tarde..."



" - Querias que te batesse era? Não sabia que gostavas dessas coisas..."
" - Por acaso até sabias, pedi-te na altura e recusaste. Agora deixa lá..."


Ahhhhhhhhhhhhh, vai-te foder...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Quando A Diferença De Idades Cria Situações Constrangedoras

Eu sempre soube que procurar homens mais velhos do que eu iria levar a que, um dia, eu ouvisse perguntas/comentários menos simpáticos, mesmo que inocentemente feitos.

Na passada Quinta, ao subir a rua 31 de Janeiro com o J, passei por uma conhecida minha da Ribeira, e, até ia passar despercebido, mas tendo-me ela cumprimentado, cumprimentei-a também, sem pensar muito nisso.

Ontem, ao encontrar-me a trabalhar, vem ter comigo e pergunta, num misto de malícia e curiosidade:

" - Quem era aquele senhor que estava contigo?"

Não querendo responder, remeti-me a encolher os ombros e, vendo que eu continuava mudo, decidiu arriscar, e a primeira tentativa que fez, foi.

" - Era o teu pai?"

Eu não sei se aparento ter a idade que tenho, mas o J não aparenta ter quarenta anos. E, embora não tenha de dar satisfações a ninguém, acho que me magoei um bocadinho com aquela suposição. Não sei porquê. Senti-me mal.


A (Re)descoberta Do P

Eu conheci o P ainda andava na Universidade. Ele foi o segundo homem com quem sai. Lembro-me que na altura lhe achei piada, ele era engraçado, tomámos café, chegámos a trabalhar juntos, partilhamos Facebook, Skype, enfim, nunca perdemos contato embora raramente falássemos.

Por razões que a própria razão desconhece, ontem lembrei-me de o contatar, e, de repente, foi como se tivesse sido atingido por um tijolo. Por que é que eu nunca tinha querido nada com ele?

Conheci-o numa altura em que, assim como 99,9% das pessoas se interessam mais pela parte de fora da pessoa do que pela de dentro, e como ele era gordo até dizer chega e peludo até mais não achei que não dava para mim.

Passados estes anos todos ele acha estranho eu manifestar interesse em estar com ele. Não sei quem é que está mais admirado nesta altura. Ele por eu estar interessado ou eu por só me ter interessado agora.

domingo, 31 de julho de 2016

Saudades Da Dor

Estes dias depois do encontro com o J têm-me dado cabo dos nervos. Claro que só nós sabemos o que nos vai cá dentro, mas às vezes pergunto-me se estará mesmo tudo bem cá dentro.
Com a confusão do acidente e consequente ferida, acabei por não ter aquilo de que mais precisava:
pancada.

" - É por que deves ter levado pouco em pequenino.
- Há pessoas que fazem queixas na polícia por apanharem tareia e tu vais andar a pedir que te te dêem tareia?"

São duas das perguntas que me andam a consumir. Mas é mesmo disso que eu sinto falta. Desta vez não estou a falar da pessoa (que por acaso é cinco estrelas) ou dos meus sentimos para com ela (que estão bem delineados). Não da violência gratuita mas de saber que é uma violência sem culpa, sem o propósito de castigar a pessoa que eu sou mas o corpo que nada representa para mim.

Mas é na mente que me está a doer mesmo. A (re)moer.

Para me calar antes de me ir embora, já vestido, levei três vergastadas de cinto. Acho que nunca tinha levado vergastadas cá em casa. Há uma primeira vez para tudo.

Mas fica a ideia de que eu mereço mais, de que poderia ter sido uma tarde e tanto se as coisas não tivessem corrido para o torto.

Hoje, ao ver-me tão em baixo, a A perguntou-me o que se passava. Até a ela precisei de uns quantos minutos (muitos) para contar o que me ia (vai) cá dentro, não fosse ela rir-se na minha cara e chamar a ambulância.

" - Não podes arranjar outra pessoa que te faça isso?"

Poder podia. Mas onde?

sábado, 30 de julho de 2016

Um "Olá" Diferente

Há uma esplnanada em frente à minha banca que não tem UM ÚNICO empregado que se aproveite (fisicamente falando), NEM UM! Ou pelo menos não tinha até hoje.

Regra geral eu cumprimento as pessoas que conheço, que vejo por lá com mais frequência. Digo um "bom dia" apressado e vou à minha vida.

Hoje, enquanto carregava a placa da minha banca, do escritório até ao meu local de trabalho, ao passar pela dita esplanada, um empregado que eu nunca lá tinha visto (e duvido que ele alguma vez me tivesse visto, não sei)  diz-me "olá" assim do nada.  Depois, olhei para ele.


Tinha um ar mesmo simpático, um tanto ou quanto bronco (como a maioria dos empregados daquela esplanada) mas achei-lhe piada. A ver se o vejo amanhã, e se ele me disser algo, a ver se meto conversa caso tenha tempo.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Broods - Heartlines [Video]

Um Encontro Perigoso: Quedas, Idas Ao Hospital E Muitos Risos #4

#3 AQUI.

Antes que comecem a questionar-se, sim, eu fui mesmo ao hospital à pala deste encontro, e sim, eu estou bem. Mas vamos por partes.

Hoje eu ia tirar a barriga de misérias com o J, caraças.



Eu sabia que a coisa prometia, a seu pedido fui comprar, entre outras coisas:

1) Uma corda

Ri-me para caraças, numa das drogarias pergunta-me o vendedor:
" - É para estender a roupa?"
Quando contei esta ao J, diz-me ele a rir-se:
" - Era mais para te estender a ti, mas com pouca roupa..."

Estava com tanto tesão que comprei logo cinco metros. Tenho corda até ao final do ano.


2) Preservativos

Acreditam que em 26 anos de vida nunca tinha comprado preservativos? Eu, todo contente a pensar que ia conseguir comprar tudo no Froiz, nickles... Tive de ir ao Lidl de propósito comprar preservativos. Aquele olhar (des)suspeito de quem vai comprar preservativos num hipermercado, com toda a gente a ver o que uma pessoa mete no tapete. Lá tentei passar aquilo com uns pacotes de Pringles a ver se colava. Eu acho que colou.



3) Uvas

Por que é que eu fui comprar uvas? Ele disse que achava piada, mas que se eu não levasse não fazia mal. Como eu sou muito boa pessoa comprei um cachinho. Ele comeu-as todas no carro, a caminho do hospital :(

Levei o meu casaco da Oblivion, a t-shirt de alças que me fica mal para burro, e as calças que fazem a minha mãe rir-se durante meia hora. Com os meus óculos de sol recém comprados, fica uma mistura interessante.


Convém também dizer que hoje foi a primeira vez, em 26 anos de vida, que fui rapado. Eu ainda não vi muito bem como é que aquilo está aqui atrás. Ele diz que está um mimo. Do pouco que me conseguiu foder, diz que aquilo entrou mais depressa. A mim dou-me muito mais. Mas já estava com o queixo a parecer as bolsinhas de sangue dos hospitais.

" - Mas Logan " - perguntam vocês - " - ele bateu- te assim tanto para sangrares?"

Acontece, minha gente, que, (se não sabem ficam a saber) que até para cair, é preciso saber-se cair. E, numa da suas investidas na cama, eu fui de queixos ao chão. Mal cheguei com os ditos ao pavimento senti logo um baque que não anunciava nada de bom. Mais tarde diz-me ele:

" - Tiveste sorte de não ver a poça de sangue que estava no meio do chão, era enorme..."



O engraçado de tudo isto é que não me doía nada. Mas eu bem reparava no quão empapados vinham os papeis que eu colocava no queixo para tentar estancar a hemorragia.

" - Vamos ver se isso pára, se não parar tenho de te levar ao hospital..."

Ir ao hospital ou estar com um touro na cama? Eu tinha de estar com aquele homem mais um bocadinho. Mas não dava, ou eu estava atento à posição em que ele me queria, ou estava ocupado a tapar o queixo. Ao fim de algum tempo, disse-lhe mesmo que não conseguia concentrar-me. Pedi-lhe desculpa e disse que não dava.

" - Já vi que hoje não vou poder tratar-te mal mas isso não quer dizer que tenha de acabar já, por isso vou ter de te tratar bem..."


E tratou. Em conversa tinha falado que não queria nenhum envolvimento sentimental com ele, por que, embora o respeitasse, era um respeito sem interesses amorosos. E iria custar-me mais fingir afeto por ele do que fingir submissão. Mas no momento uma pessoa não pensa. Aliás, é difícil pensar muito quando se tem um homem daqueles à frente.


Nunca devo ter dado tanto à língua como hoje. E acho que consegui chegar-lhe aos dentes todos. Acredito que não seja o master chef dos beijinhos mas acho que hoje passou. 



Mas, o tempo estava a esgotar-se, e as minhas hipóteses de ir ao hospital também. Por isso lá fomos à nossa vida.

Não sem antes eu receber (visto ser o meu iogurte favorito) mais uma carga vitalícia de "A Leiteira"
E, até em mim, que tenho uma testa grande, ele conseguiu a proeza de me encher o cabelo de leite. O cabelo! Será que aquilo faz bem à caspa? É que pelo menos a parte da frente do meu cabelo ficava livre dela por algum tempo...



" - Mas Logan, tu não vais ao hospital?"

Fomos pois. Não sem antes eu inventar a peta mais credível da história das petas, que tinha caído na Universidade (visto ter colocado uma foto lá no Facebook, pouco antes de ir ter com o J, o alibi ideal), e que tinha batido com o queixo mas que apenas tinha reparado que estava a sangrar pouco tempo depois. A mãe acreditou, não stressou e o J levou-me até ao hospital.



Já no hospital, demorei menos do que esperava, também devia ter um ar de coitadinho de tal forma que me atenderam em menos de meia hora.

Levei uns quantos pontos (nem sei quantos) e ia para casa todo contente se o J não me tivesse perguntado se eu me importava de ir com ele tomar café.

" - Claro que não podes tomar café mas podes sempre comer um gelado..."

" - Obrigado mas já comi do teu mini milk..."



Com saídas destas o fato de ele continuar a andar comigo até Fernandes Tomaz quer dizer alguma coisa!!!

Diz ele que, quando vier de férias e eu estiver melhor, agendámos outra sessão. Eu digo que, pelo sim pelo não, vou ver se encontro um motel mais pertinho do hospital. Só por precaução.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Eu, Dealer

Sabem como é que eu sei que os meus óculos de sol me dão uma pinta de mau? Quando estou com eles colocados de manhã no trabalho, vem um moço parar ao meu lado e me sussurra:

" - Branca, vendes? Quanto é? 25€ por 100 gramas não é?"


Deu-me uma vontade de rir que nem vos passa pela cabeça... Oh filho se eu arranjasse branca, quem a snifava era eu, que bem ando a precisar.