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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Jogar No Outro Campeonato

Quando eu, que estou na merda, e a C, que na merda está, começámos a ir embora juntos e começo a ter pensamentos heterossexuais dentro de mim...


Não tenham pena de mim, tenham pena dela... A miúda tem 18 aninhos... É demasiado nova para ficar traumatizada para a vida toda...

sábado, 28 de julho de 2018

Uma Visão Que Incomoda Muita Gente

Após ver dois rapazes de mãos dadas:

P: " - Aqueles dois são do teu sindicato (risos)."
Eu: " - Não te esqueças é que eu ando a descontar para o teu..."


terça-feira, 10 de julho de 2018

A Lógica Da Batata Ao Serviço Da Homofobia

A batata passa a vida enfiada lá no meio da terra. Onde deveriam ter permanecido muitas ideias que provavelmente surgiram cheias de boa vontade vindas de unicórnio através de um arco-íris feito só de paz e amor.
Ora então, a mesma rede social que passa a vida a mandar mensagens de aceitação e de orgulho gay é a mesma que cria botões de "aplicação escondida" por que seria uma vergonha se as pessoas soubessem que andámos naquela vida. Ui se soubessem. Ui se este mundo de arco-íris e aceitação fosse perturbado pelo simples vislumbre da, hum, verdade?

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Um Pequeno Pormenor Que Me Escapa

É o facto de poder denunciar colegas de trabalho por discriminação sexual.

" - Ah mas tu como és gay contas quase como se fosses uma rapariga..."

Sim, mas ainda tenho tomates para pôr alguém em tribunal...


domingo, 17 de junho de 2018

Ricky Martin E A Sobrevalorização Da Homossexualidade

"Casado com Jwan Yosef, o cantor Ricky Martin lutou contra si mesmo e com o mundo para assumir que é homossexual. Mas, atualmente, o cantor mostra-se bem resolvido com a vida e confessa que, dentro da sua casa, não existe qualquer tipo de discriminação.
Com dois filhos de 9 anos, Valentino e Matteo, o cantor fez uma pequena confidencia “Os meus filhos ainda não muito novos, mas gostava que eles fossem gays. É especial. A sensibilidade, a forma como me vejo agora que não tenho que esconder mais… Faz de mim uma pessoa mais forte”."


Não sei até que ponto estas afirmações são verdadeiras ou se foram deturpadas em prol do jornalismo sensacionalista. Mas acredito que o sejam, até por que há muitos outros gays a pensarem como Ricky Martin. Lembro-me de ter lido/ouvido de que os negros eram mais racistas do que os próprios brancos, sendo que esses mesmos negros são as vítimas por excelência do dito racismo. Nós, os gay, acabamos por morder o próprio rabo no que a discriminação diz respeito.

Esta discriminação positiva é parva. Poderia procurar um adjectivo mais pomposo mas não há que tapar o Sol com a peneira. É parva e pronto. Há homossexuais muito insensíveis, até mais insensíveis do que muitos heterossexuais e decerto que a sua orientação em nada determinou (ou em muito pouco) a sensibilidade e a forma como lidam com terceiros. Embora seja uma parte importante na vida de qualquer ser humano não é à volta dela que tudo gira.

Chegámos a um ponto em que os homossexuais já não querem igualdade. Querem superioridade. Superioridade moral... Quase como se os descendentes de inquisidores da Antiguidade reclamassem para si o direito de julgarem as pessoas em pleno século XXI. Querem sentar-se numa cadeira diferente, cansaram-se de ser julgados, querem julgar.

A orientação sexual não torna ninguém especial. As pessoas fazem por se tornarem especiais. E muitas delas infelizmente nem a esse trabalho se dão.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Love, Simon


AVISO: CONTÉM SPOILERS

Este foi daqueles filmes de que ouvia falar mas de que não tinha ainda percebido do que falava até ver o filme de fio a pavio. Fala de um rapaz (Simon) e da aceitação da sua homossexualidade à medida que enceta uma amizade através de e-mails com um rapaz também homossexual da escola que ambos frequentam por quem acaba, invariavelmente, por se apaixonar sem nunca o ter visto.

Mais do que a mensagem de aceitação por parte da família e dos amigos ou da censura por parte da sociedade, o que mais me marcou no filme foi aquela ideia de uma pessoa poder enamorar-se por alguém com base apenas na sua personalidade, sem nunca ter visto a cara de quem está do outro lado.

Acaba por ir contra esta ideia de falsa "despreocupação" que todos queremos apssar face ao exterior do outro. Aquela ideia de que somos mais do que simples apreciadores da carne, quando na verdade é isso (e apenas isso) que somos. E há apreciadores que nem sabem sê-lo para piorar a coisa.

Acaba por dar uma ideia muito romanceada do que é sair do armário. Na vida real saímos do armário com duas ou três bolas de naftalina a rebolar atrás de nós.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Dúvida Existencial

Isto de se ter de vibrar com o Festival da Eurovisão é algum requisito obrigatório para se ser gay? É que se for o caso acho que vou começar a andar atrás das meninas. Dunno.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Imposição Pessoal Ou Social?

Lembro-me de ver há muito tempo uma pergunta que me deixou a pensar:

" - O que querias ser antes de a sociedade decidir aquilo que tinhas que ser?"

Já não me lembro se eram estas palavras, mas a ideia que queria retirar era de que, por vezes, temos pensamentos tão intrincados no nossos subconsciente que não sabemos (ou não nos lembramos) de quem os colocou lá, nós ou a sociedade. Ou nós enquanto membros dessa mesma sociedade.

Há dias estava a falar com um senhor e a coisa estava a correr tão bem, queria um fuckbuddy, já tinhamos encontro marcado, quando me decide pedir o número de telemóvel e eu lá acedi. Mal me contacta a primeira coisa que me diz é que é casado e com filhos. Pensei que fosse brincadeira e reagi em conformidade mas vim a saber pouco depois que não, era mesmo verdade. Pedi desculpa e recusei. Não foi a primeira que tal me aconteceu embora tenha sido a reacção mais pacata à minha decisão em anos.

Sempre foi coisa que me recusei a experimentar. Não que a carne deva ter um sabor muito diferente mas acho que é cagar no prato onde comem terceiros. Não estamos no estado Islâmico onde as pessoas precisam de esconder os seus desejos a medo de serem apedrejadas. Já não vivemos numa sociedade onde os pais decidem (como decidiam antigamente) com quem casamos e como devemos viver a nossa vida. Obviamente que pessoas de cinquenta, sessenta anos ficaram presas nessas relações de conveniência para manter as tão desejadas boas aparências, mas aqueles de nós que já nasceram num estado dito livre podem (e devem) demonstrar os seus verdadeiros gostos.

Obviamente que a moda de dizer que se gosta de tudo ainda não passou, e a sociedade aceita mais depressa a bissexualidade do que a homossexualidade, mas isso não inclui passar por cima de um casamento heterossexual para ter acesso a prazeres que, nesta sociedade, neste século, já não são negados a (quase) ninguém.

E pessoas como eu que dificilmente se encontram vinculadas a laços duradouros dão muito mais valor a tais relações do que aqueles que se encontram nelas. É triste.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Turismo LGBT? Ou Simplesmente Turismo?

Isto pode soar a conversa de "bixa do armário" (e provavelmente será essa a opinião que muita gente terá ao ler esta publicação) mas faz-me confusão o interesse desta (e de muitas outras) sociedades de separar o turismo de indivíduos homo/bi/trans de todos os outros sectores de mercado. 
Há dias assistia a uma reportagem sobre o assunto e a ideia que os empresários fizeram passar (a meu ver) era aquela mui antiquada de "as bixas adoram compras, gastar dinheiro, passear...."....

O que faz um turista homossexual ser um sector de mercado diferenciado de um turista heterossexual? Obviamente que quando se fala da "normalidade" esta se refere ao segundo grupo e não ao primeiro, mas dentro dessa normalidade estarão pessoas que já se casaram, que são viúvas,  solteiras, que viajam sozinhas, que viajam em família... E ninguém se preocupa em criar um "mini-segmento" para cada uma delas. Por que o destino de sonho do casal de velhinhos não é certamente o mesmo do Zé da esquina que completou vinte anos e quer conhecer o mundo.

Depois aparecem portas-voz da Bixolândia todos contentes a dizer que estão orgulhosos e não sei quê. Levaram um insulto assim como quem não quer a coisa e agradeceram com um sorriso na boca como aquelas mulheres que não sabem que cagaram mais de metade da placa com o batom vermelho da Garnier.