terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sobre Essas Pessoas Que Lêem Muito [Ou Não]

Uma das maiores pragas das redes sociais ocorre quando vocês são inundados de fotos dos vossos amigos que são pessoas muito cultas, pessoas que lêem muito, que têm muitos livros, e como pessoas cultas que são elas tiram fotos das suas super colecções e mostram a quem quiser ver. E então vocês vêem esses títulos:

Harry Potter
As Crónicas De Nárnia
O Senhor Dos Anéis
O Hobbit
Os Jogos Da Fome

Só esses, não vêem mais nada ali...


Não critico quem leia esses livros, eu tenho livros do Harry Potter e das Crónicas de Nárnia, não acho que seja uma vergonha muito grande. Mas não consigo compactuar com esta ideia de falsa sabedoria que emana daquelas colecções devoradas até à exaustão. 

Claro que uma pessoa não lê estilos dos quais não gosta, mas há mais para lá desses títulos que referi em cima. Para não falar de que, se assim como eu, fossem para um curso de Letras e dissessem que o vosso livro favorito era o Harry Potter e a Pedra Filosofal ficariam a pensar no nome do hospital psiquiátrico de onde vocês fugiram. Um rapazito disse isso quando eu andava no primeiro ano da licenciatura e foi pior do que a música da Bernardina.

Desde muito novo que devorei livros e sei que até hoje sempre me ajudaram a formar uma opinião mais coesa sobre as pessoas, o mundo etc, e isso não foi por falarem de Trolls, de Fadas e Duendes... Claro que se fica com maiores conhecimentos a nível do léxico, construção frásica e por aí fora mas e depois? Depois de acabar a discussão sobre o Frodo, sobre o Harry o que resta? 

Estou a ficar com uma colecção estupidamente grande de livros da Philippa Gregory, aqueles romances históricos que eu leio em menos de uma semana na maioria das vezes e que depois releio até à exaustão mas há literatura para além disso... Biografias, teatro, contos, porquê restringir o gosto literário de uma pessoa a apenas um estilo de literatura? 

Hoje em dia uma pessoa diz que gosta de literatura mas só lê ou compra os livros que vê nos escaparates, os BESTSELLERS, os livros sobre os quais toda a gente fala, dos quais eles já conhecem a história mas que vão ler na mesma.

Adoro a denominação BESTSELLER, por acaso os livros da Philippa aparecem sempre com essa denominação: DA AUTORA DO BEST SELLER "DUAS IRMÃS, UM REI" [o primeiro livro dela que li, não comprei por ser best seller, comprei por ser grande, adoro livros grossos, não só os livros, mas também eles têm de ser grossos eheh], como se isso dissesse algo sobre a qualidade da obra. Há livros óptimos que não são bestsellers.

Adoro também o argumento "LIDO POR MAIS DE X PESSOAS EM TODO O MUNDO" - uma denominação parva que uma vez foi discutida em Teoria da Literatura com a professora Celina Silva:

Celina Silva:

Dizia a senhora do alto da sua sabedoria [sem ironias, aquela senhora é um mundo em si] que essa contabilização é simples: vocês compram um livro, as editoras partem do princípio que se em cada casa viverem em média, digámos, cinco pessoas, essas cinco pessoas irão ler esse livro. Ou seja um livro que vai ser lido por cinco pessoas, como se os outros habitantes das vossas humildes residências lessem os livros que vocês compram na maioria dos casos.

Tudo isto por que um contacto do meu Facebook decidiu partilhar mais uma foto da sua "pseudo" colecção de livros que me dá vontade de rir, tenho de lhe enviar umas fotos da minha a ver se ela tira algumas ideias para além das migalhas que tem todo o orgulho em mostrar a quem quiser ver.

E para acabar fica algo para reflectirem:


8 comentários:

  1. Eu era uma daquelas adolescentes que não queria saber da literatura para nada, mas depois comecei a ler Harry Potter e ganhei o gosto pela leitura. Também adoro livros grossos, são os que me dão "pica" de ler. Já li inúmeros do Sparks e não é que não goste, mas parece que falta ali qualquer coisa.

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    1. eu nunca li nenhum livro do Sparks :choque

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  2. Gostei do teu post e concordo contigo. Não li nenhum desses livros. E só vi o filme Hunger Games. Harry Potter não me diz nada.

    Acabei a trilogia Millenium e agora vou começar os dois últimos do José Rodrigues dos Santos.

    Eu não vou pelas publicidades ao livros. Vou pela temática.

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    1. acho que quase todos acabámos por procurar livros devido à sua temática, o errado é lermos sobre uma temática apenas deixando as outras na prateleira...

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    2. Eu só leio sobre o que gosto. O mesmo se aplica aos filmes. Há géneros que não gosto e por vezes, não vejo.

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  3. Depois de ler o teu post, que gostei muito cheguei a conclusão que devo ler mais!
    Estou e sinto-me desfalcada literaturalmente. ( pronto, inventei esta!)

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  4. Bom post. Tens razão. Já li Harry Potter, O Hobbit e alguns das Crónicas de Nárnia, mas a minha biblioteca não se resume a isso. O fantástico é o meu género favorito, mas não é o único que leio (e até há muuuitos mais livros do género fantástico para além de HP e Senhor dos Anéis...). Já li dramas, romances, uma história verídica e um policial...e adorei alguns deles, que me surpreenderam bastante pela positiva.
    Quanto aos bestsellers, eu normalmente fujo deles. Ou porque são livros sobre os quais toda a gente fala e que toda a gente lê, ou porque não me cativam. Não sei bem porquê, mas, quando um determinado livro é muito falado e é lido por basicamente toda a gente, perco o interesse no dito livro. Um exemplo: 50 sombras de Grey (ou lá como é que é). Uma coisa tão falada, que não me parece nada, nada interessante. Porque é como dizes: ser-se bestseller não quer dizer que seja realmente bom. E é verdade: há óptimos livros que não são bestsellers

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