terça-feira, 21 de junho de 2016

Um Encontro Perigoso - Chapadas Na Tromba, Leite Na Tromba E Outras Histórias

MAIS UMA VEZ AVISO QUE SE GASTOU O STOCK DE BOLINHAS VERMELHAS DO ESTAMINÉ NESTE POST APENAS. PROSSIGAM POR VOSSA CONTA E RISCO. FALO SÉRIO GENTE.

Eu só tinha falado com o J meia dúzia de vezes e em 26 anos deve ter sido o único homem com quem estive/falei que pensa tanto com a cabeça de cima como com a de baixo. Mas gostei da sua honestidade. Dizia-me ele que só me prometia duas coisas: que não queria uma relação e que me podia proporcionar bom sexo. Como a relação era algo que ele não me podia dar, ao menos pedi-lhe o sexo.


Eu devo ser o rapaz mais crente na história dos gays, por que, com um corpinho franzino de 55 kilos meti-me no carro de um homem que nunca vi na vida (in loco) para ir até um motel de que nunca tinha ouvido falar, num sítio do qual não saberia voltar caso ele me deixasse ali. E se ele me levasse para a Arábia e me trocasse por camelos? E se ele levasse uma faca de talhante e me tirasse um rim? O drama, a tragédia, o horror....
A prever um desfecho trágico, cheguei a ligar à A para me contatar a partir das x horas, não fosse eu já estar a caminho da Arábia nalgum camião preto sem matrícula.



O homem pensou em tudo, nós pensamos em tudo aliás (tive inclusive de deixar de colocar perfume e aparar a barba a seu mando). Já com uma lista discutida de "dos" e "dont's" foi com um misto de curiosidade e medo que vi a mochila que ele trazia. Seriam facas? Chicotes? Cintos?
Nah. Apenas a indumentária.


De entre todas as peças que lá figuravam, desencantou um chapéu que quis que eu colocasse. Eu já lhe tinha dito que não haveria maneira de eu colcoar um chapéu nesta cabeçorra mas ele fez ouvidos de mercador. Apeteceu-me rir na cara dele quando vi que aquilo não entrava mas limitei-lhe a dizer:



Embora nunca tivesse assumido as rédeas em qualquer relação que tive no passado, a submissão apresentava-se-me sempre como uma opção que se me adequaria melhor do que a de simples passivo. E o J deixou as coisas claras, mais claras do que a meita que me espetou na cara.

" - Podemos falar à vontade na rua, no carro, mas a partir do momento em que entrarmos naquele quarto quem manda sou eu..."

Em minha defesa, digo que devo ter limpo aquele chão melhor do que a empregada, por que fui arrastado por tudo quanto era lado, devo ter deixado aquilo muito limpinho.

E digo-vos mais uma coisa minha gente, em 26 anos de vida nunca levei tanta chapada, nem sequer do Senhor meu pai. Não falo daquelas chapadas que uma pessoa já está a contar apanhar e que doem mais na alma do que no corpo. Falo daquelas que, volta e meia, até me faziam ouvir sinos nos ouvidos. Eu bem que tinha dito antes "na cara não, que eu trabalho com público e dá mau aspeto" (não que a minha cara sem mazelas seja melhor). Não quis saber. Olhava para mim a rir-se e ainda me batia mais.


Aquele momento embaraçoso em que o meu saco lacrimal decidiu trair-me e largar uma lágrima sem razão nenhuma, e o J, que como (Meu) Senhor tudo via e ouvia, perguntou logo no seu tom de escárnio:

" - Estás a chorar puta?"


O síndrome do putedo apoderou-se de mim de tal maneira que o homem, por duas ou três vezes quis deixar a sua "persona" e voltar ao seu estado normal e eu só lhe dizia:


(Numa dessas vezes o regresso deu-se sob a forma de chapada na tromba, arrependi-me durante dois segundos por ter falado por que a chapada me doeu para c*ralho)

Deduzi também que afinal devo ter algum jeito para a matemática. Pelo menos consigo abrir as pernas em ângulos muito esquisitos que deveriam ser estudados para criar novas formas geométricas. E também por que fiquei com o meu cu feito num oito. Perguntava-me ele, encarnando a sua "persona muy grata":

" - Nunca te foderam esse cu em condições pois não?"

Parte de mim queria dizer que "sim" só para dar uma ideia de experiente. A outra sabia que não era bem assim, que tinham sido coisas de pouca polvorosa. Uma coisa é certa, eu deveria ter aquilo mais fechado do que os cofres do estado por que o homem demorou horrores para abrir tudo, e eu estava a ver que, mesmo estando no meio do monte, ele ia morrer na praia. Ele e eu. Agora que penso nisso, esta teria sido uma boa música para a ocasião:


Mas já diziam os nossos avôs: "água mole em pedra dura tanto bate até que fura" e sendo que a "água" dele de mole tinha pouco, quando furou, se eu tivesse os óculos colocados naquele momento teriam sido cinco olhos em vez de três a ficarem arregalados.


Trabalhado tudo que tinha para trabalhar ali, levanta-se e vai para a casa de banho. Pensei eu, de mim para comigo:

" - Isto acabou assim? Tanta coisa e nada? Parece a anedota das lésbicas que acabam de foder e perguntam onde está o leite!"

Eu perguntava o mesmo.


" - Havias de ter visto a tua cara de decepção quando me levantei. Como se te tivessem tirado algo de que gostasses..."

Pouco depois, chamou-me e foi o tempo de me mandar ajoelhar. 

" - Achas-me gordo?"


Confesso que me tinha entretido muito com a (pequena) barriga dele durante a tarde, uma barriga que mal se notava quando vestido, e pensei, de mim para comigo se lhe deveria dizer  que não o achava gordo, ou se ele estava mesmo à espera que eu o considerasse como tal. Decidi-me pela primeira opção, rindo-me na cara dele. Ele pareceu gostar da resposta, e acreditem, era uma resposta sincera. para magro já basto eu.

Seguiu-se um momento de contemplação silenciosa, depois do qual, sem aviso do que iria fazer, por que, e segundo as suas palavras póstumas " - eu venho-me quando me quero vir" ele deve ter libertado o leite de todas as vacas da Madeira, daquelas que fazem o queijo, sem me dar tempo para me pôr em condições. E eu digo-vos minha gente, tinha pouca cara para tanto leite.



" - Só tenho pena de não ter podido gravar o momento por que parecia um filme porno, escorrias leite..."


Ao princípio pensei que ele estivesse a exagerar mas depois lembrei-me de que não sabia onde começar a limpar aquilo e dei por mim a concordar que sim, aquilo parecia uma oferta vitalícia de iogurtes "A Leiteira".

Bem, se o leite de homem fizer tão bem à pele como se apregoa por aí então a minha acne está curada eternamente.

Ainda tive de lhe dar banho. Pensei que fosse  para fazer a velha piada de apanhar o sabonete mas não. Apanhei com outra coisa mais liquida e deixo a resposta à vossa imaginação.


Depois, fomos tomar café como se nada fosse, falar da família e dos estudos, quase como se o chá das cinco tivesse sido a maior preocupação do nosso dia...


" - Temos de repetir." - comentário de quem fez tudo.
" - A minha cabeça diz sim, mas o meu cu diz não..." - disse eu.

E o cu é que sabe. Mas eu nunca disse que era o cu que mandava.

16 comentários:

  1. Muito bom este post, és daqueles que gostas de apanhar, forte e feio :)

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    1. Pelo que me disse não apanhei tanto como ele gostaria. Tenho medo do que acontecerá quando apanhar.

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  2. Confesso que nunca entendi, nem entendo o facto de alguém submeter-se a tanta humilhação e violência.

    Poderias escrever um post ou vários sobre as motivações e gostos de te levam a levar na tromba, quase a chorar. Que prazer isso dá?!

    Eu consigo entender os sádicos, os mestres, basta sair à rua e são todos maxões lololololol e as atrocidades que o ser humano consegue infligir no próximo...

    Agora aceitares isso gratuitamente?! Onde esteve ou estava o prazer?!

    Desculpa estas minhas perguntas todas...

    É que eu conheço pessoal que paga para estar no teu lugar...

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    1. Eu posso falar por mim, não vou falar em nome de outras pessoas...
      Acreditas no expurgar de energias através de métodos como o yoga? Acreditas que eu sinto uma libertação ao estar sob as ordens de alguém? Nem vou referir que tais ordens eram ordens que eu gostaria de ter acatado há muito tempo... por isso não senti que estivesse a ser usado, senti tanto prazer como ele. Num mundo que me vê e me trata muitas vezes como lixo, encarnar-me no próprio lixo foi uma forma de me ver livre de todos esses preconceitos e ideias pré-concebidas que atiram para cima de mim.
      Acreditas que a seguir ao alívio póstumo da dor de uma estalada se instalava um medo de não levar mais nenhuma? Eu não ia pedir mais, eu não podia pedi-las na posição em que estava, mas eram uma coisa que eu queria, por que me ajudavam a expurgar coisas que tinha dentro da cabeça, provavelmente merda, mas eram como uma libertação para mim.


      Provavelmente existe uma explicação psicológica para cada um de nós, baseada em fatores das nossas vidas que poderá justificar tais tendências, violência parental, bullying etc, mas estaria a mentir-te se te dissesse que levava tareias monumentais quando era criança.
      Atenção ao "quase a chorar" por que não foi nenhuma sessão de pancadaria, foram estaladas faseadas de tempos a tempos, embora tenham sido bastantes e inesperadas não foram dignas de deixar marca. A dor deveu-se mais à surpresa do que à intensidade da violência. E admito que gostaria de avançar para um outro nível num futuro encontro com ele por que tivemos bastante química.

      E olha, sou-te sincero, já tive muita vergonha de certos comportamentos que tive em encontros nada parecidos com este, comportamentos que poderiam muito bem ter sido tomados como românticos mas que me fizeram ter vergonha de mim mesmo.
      Esta não é uma dessas vezes. Eu sei que qualquer pessoa que leia a minha história a seco não irá compreender as minhas motivações mas acho que o fato de não as conseguir explicar só as torna mais verdadeiras e consequentemente mais prazerosas.

      Eu não teria pago para ter o que tive ontem. Provavelmente pensarás (tu e outras pessoas) que para vos baterem e humilharem só o fariam a troco de dinheiro. Mas eu não paguei nada, ele não me deu nada. E isso fez-me sentir bem com as atitudes que tomei lá dentro por que eu não tinha de corresponder às expetativas de um pagante, eu tinha de corresponder às expetativas de uma pessoa que eu assimilei ser minha superiora, e às minhas próprias expetativas de contornar um lado mais interventivo da minha personalidade e me deixar subjugar por completo às ordens de outrem.

      Eu acho que esta explicação foi um pouco confusa e provavelmente redundante, mas se quiseres eu posso continua-la em privado caso não tenhas ficado completamente esclarecido.

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    2. Entendo, respeito, foste claro quer no post quer no comentário.

      Estás bem, isso é que é importa :)

      Tu partilha os teus momentos todos ;) que quiseres :)

      Leio-os todos ;)

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    3. Não tenho assim tantos momentos para partilhar, não sou propriamente uma sex machine :(

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  3. Caralho que postagem! Acho que das melhores que você já fez. Sensacional.
    Confesso que sempre tive uma atração toda especial por estes fetiches e, já pratiquei tanto como submisso ou como dominador. Diga-se, de passagem, com bom desempenho.
    Adoro, de quando em vez, dar vazão a este lado. rs

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    1. Foi minha primeira incursão, a ver se não será a última...

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  4. Tu devias escrever argumentos pah.
    Sério...falo sério.
    Tens um potencial gigante homem.
    E quanto às palmadas...não são de todo minha praia.;)

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  5. Gostei do pormenor do "deixo o resto para a vossa imaginação" porque depois de todas as metáforas de leite acima descritas, acho que não vou conseguir olhar para um galão da mesma forma durante umas semanas.
    Also, olha gostaste e foi bom, aproveita e relaxa o cuzito né. fazer o quê, a vida é só uma, desde que não seja eu a levar chapadas nas trombas, all is fair.

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    1. Faz como eu, bebe só café...
      Quanto a relaxar o cu, está difícil, não ganhei um andar novo mas para lá caminho...
      Quanto às chapadas, acho que sou mesmo o único que gosta de as apanhar por estas bandas... :(

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  6. Quando comecei a ler este post, pensei: "isto não é para ler à pressa". Guardei para ler mais tarde, com tempo. Fiz bem, isto merece ser lido com calma.
    Não vou fazer qualquer tipo de julgamento. O que importa é gozar ao máximo.
    Da minha parte, acho que a submição dá um certo ar "putaria" que torna a coisa bem interessante. Já a violência...

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    1. A violência não foi tão violenta assim...

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  7. Acho que é o primeiro relato de S&M que leio por aqui e ainda por cima português. Muitos parabéns. Também sou sadomaso e gostei bastante do post, revi-me em alguns pontos haha
    Confesso que prefiro as palmadas noutro sítio ;)
    Se gostaste, o melhor é preparares o cuzinho pra mais ;)

    Boa sorte

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    1. Eu levei palmadas em outros sítios, mas mencionei apenas as que mais me doeram....
      Quanto a preparar o meu realíssimo para mais, hum, a ver vamos xD

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